Computação Quântica e Cibersegurança: como preparar a organização para a próxima geração de riscos
Cibersegurança · 2 min
Artigos de Luís Carvalho
A computação quântica poderá alterar profundamente a forma como protegemos a informação. Descubra porque é importante começar hoje a preparar a organização para este novo paradigma.

TL;DR
- A computação quântica poderá comprometer algoritmos criptográficos atualmente utilizados
- Dados com elevado período de confidencialidade exigem preparação antecipada
- O inventário dos ativos criptográficos é o primeiro passo recomendado
- A transição será gradual e dependerá da evolução dos fornecedores tecnológicos
- Preparar hoje reduz riscos e facilita futuras migrações
Porque este tema já merece atenção
Embora a computação quântica ainda esteja numa fase de evolução, o seu potencial impacto na cibersegurança é amplamente reconhecido pela comunidade científica e pelas principais entidades de normalização. Os algoritmos criptográficos atualmente utilizados poderão deixar de oferecer o mesmo nível de proteção quando existirem computadores quânticos suficientemente capazes de executar determinados tipos de ataques. Por esse motivo, organizações que armazenam informação sensível durante longos períodos devem começar desde já a preparar a sua [estratégia de transição](/pt/solucoes/post-quantum-readiness).
O risco começa antes da tecnologia existir
Um dos cenários mais discutidos é conhecido como Harvest Now, Decrypt Later. Neste modelo, um atacante pode recolher hoje informação cifrada e armazená-la durante vários anos, aguardando que a evolução da computação quântica permita decifrá-la no futuro. Este risco é particularmente relevante para informação que necessita de permanecer confidencial durante longos períodos, como propriedade intelectual, documentação jurídica, dados financeiros ou informação clínica.
Preparar a organização
A preparação não passa por substituir imediatamente toda a infraestrutura criptográfica. As principais recomendações passam por: - identificar onde a criptografia é utilizada; - compreender quais os sistemas mais críticos; - acompanhar os novos padrões internacionais; - envolver fornecedores na definição dos respetivos planos de evolução; - incorporar o tema nos processos de [gestão do risco tecnológico](/pt/blog/gerir-os-riscos-da-supply-chain-de-ia-generativa-na-empresa). Uma abordagem faseada permite reduzir complexidade e distribuir o investimento ao longo do tempo.
O papel dos novos padrões
O NIST tem vindo a desenvolver e publicar novos algoritmos de criptografia pós-quântica que servirão de base à próxima geração de soluções de [segurança](/pt/solucoes/seguranca-fisica-e-logica). À medida que fabricantes de software, equipamentos e serviços cloud incorporarem estes mecanismos, as organizações poderão iniciar processos de migração de forma progressiva e controlada.
Uma decisão estratégica
A preparação para a computação quântica não deve ser encarada como um projeto exclusivamente tecnológico. Tal como aconteceu com outras grandes mudanças na [cibersegurança](/pt/blog/ciberseguranca-em-ambientes-multicloud-estrategias-para-reduzir-riscos), será necessário envolver equipas técnicas, gestão de topo, parceiros tecnológicos e responsáveis pela governação da informação. Quanto mais cedo existir um plano, menor será o impacto da futura transição.
Conclusão
A computação quântica representa um dos maiores desafios futuros para a proteção da informação. Embora ainda exista tempo para preparar a transição, as organizações que iniciarem desde já o planeamento estarão melhor posicionadas para proteger os seus ativos críticos e acompanhar a evolução dos novos padrões criptográficos de forma sustentada.